"No que" você vota?

O quadro eleitoral que está sendo anunciado deveria ser estranho, mas no Brasil, é absolutamente normal. A falta de identidade dos partidos políticos levam o eleitor a produzir esquisitices tremendas. 

Ao que tudo indica, em São Paulo, Dilma receberá mais votos do que Serra. 

Marta (PT), segue firme na disputa por uma vaga ao senado, e é seguida, não muito de perto, por Quércia (PMDB, ressurreto, aliado de Serra e Alckmin), Tuma (PTB, também aliado dos tucanos) e o pagodeiro, e pancadeiro Netinho de Paula (PC do B, aliado do PT).

Tudo certo! Dilma, Marta e Netinho, aliados do presidente Lula estão firmes na disputa, e os aliados de Serra vão ficando para trás. Ocorre que na disputa ao governo do estado, Geraldo Alckmin seria eleito em primeiro turno! E o candidato tucano ao senado, Aloízio Nunes tem míseros 5% das intenções de votos! Como isso é possível?

Alguns dizem que isso acontece porque o povo não sabe votar. Pode ser, mas tem mais do que essa explicação simplória! O povo não sabe votar e nossos homens públicos não sabem fazer política.

O Brasileiro não vota no partido, na ideologia, no programa de governo. Ele vota na pessoa. Lula conseguiu transferir sua popularidade à Dilma, mas isso é um caso à parte. Os eleitores de Dilma estão votando na candidata de Lula, não do PT. É verdade que a militância petista é forte. Em São Paulo, batia sempre na casa dos 30%. Provavelmente, os escândalos do mensalão e dos dossiês tenham minado essa confiança inabalável, e hoje Mercadante, que disputa o governo tem uns 15% de intenções de votos.

Há quem defenda a não-obrigatoriedade do voto. Sou um desses. Mas já cheguei a acreditar que se o voto não fosse obrigatório, o PT venceria todas as eleições. Não que o voto do petista "roxo" seja mais consciente. Ao contrário, para muitos o PT é uma religião. Depois do mensalão, muitos petista apostataram. Mas eu conheço muita gente que ainda vota indiscriminadamente no PT. Nunca ouvi alguém dizer que vota sempre no candidato tucano, ou de qualquer outro partido. O partido de Lula ainda consegue despertar esse incrível fascínio em alguns eleitores. Isso é coisa de democrata e republicano...

Seja o que for que explique essa disparidade de ideologias na hora do voto, o povo acaba sem perceber equilibrando o cenário político, que embora polarizado, é bem dividido. Para comparar, nos EUA há dois partidos, o democrata e o republicano (entenderam o parágrafo acima?), que se alternam, e cada um deles tem uns 40% de eleitores fieis. O peso do carisma do candidato acaba influenciando uma parcela relativamente pequena do eleitorado, que diga-se, não é obrigado a votar. Essa faixa de 20% de eleitores que vota na pessoa e não no partido é que acaba sempre decidindo o vencedor nas urnas.

Talvez o voto facultativo tornasse a equação no Brasil mais fácil de resolver. Não tenho nada a ver com isso, mas acredito que muitos analistas políticos devam ficar de cabelos em pé ao comentar essa disparidade tão grande entre um e outro candidato do mesmo partido, que teoricamente deveriam receber os mesmos votos. Talvez essa conta não seja tão estranha. Quem sabe uma reforma política decente, que obrigasse os partidos a governarem de acordo com a ideias que vendem na hora de pedir nosso voto, não mudasse esse quadro tão confuso? 

Até lá, enquanto nossos políticos fizerem política sem identidade, sem compromisso ideológico e sem vergonha na cara, vamos continuar votando como sabemos. Se é a melhor maneira, o tempo dirá, mas pelo menos mostra que o Brasileiro consegue separar as coisas. Partidos, partidos, votos à parte!

Grande abraço.

Daniel Makawetskas



Escrito por Daniel makawetskas às 11h48
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O Passado que Dilma não deveria esconder.

Um assunto que causa grande seleuma nos círculos petistas é o passado de guerrilheira de Dilma. É verdade que há muito "disse que disse que não disse", e é difícil chegar à construção fiel de toda a história da presidenciável até aqui. Só ela sabe tudo o que passou, fez e deixou de fazer, e mesmo assim jamais terá certeza de todo o contexto em que estava envolvida. As razões da luta, os amigos e inimigos, o que se tramava dos dois lados... aliados ao obscuro tratamento que os censores, a polícia e o governo davam aos casos de interrogatório, prisões, e banimentos podem tornar ignorantes dos fatos verdadeiramente reais, até mesmo pessoas que estavam mergulhadas nas ideologias que guerreavam no Brasil dos militares.

Mas, se Dilma lutou, seja de que forma tenha sido, contra a ditadura, isso por si só deveria recomendá-la. Evidentemente prefiro os meios pacíficos para reivindicação de direitos, mas considero uma covardia usar o passado de quem escolheu as armas contra os golpistas de 64. Afinal, os nobres militares não davam opções a quem queria liberdade, e cada um lutou como achou que deveria. Serra e FHC fugiram para não morrer, tentando uma "luta pacífica". Lula organizou greves. Músicos a artistas usaram a arte. Dilma usou armas. Não dá para comparar aqueles dias com os de hoje. São tempos muito diferentes. Nada justifica crimes, armas e guerra, mas os crimes, armas e guerra partiram do governo, e para quem estava do lado de baixo era questão de reação. De sobrevivência...

Chama a atenção o caminho que Dilma percorreu para chegar à luta armada. Se é que chegou, já que muitos negam, e ela teme tocar no assunto. Lula orgulha-se, com razão, de ter vindo de classe humilde. Na prática, a luta de Lula era por si mesmo. A trajetória de Dilma, ao contrário, vem de cima para baixo. Deixou seu lar de classe média, para ao lado dos opositores passar fome, frio, ser presa e torturada. E ao contrário de Genuíno, até onde se sabe, não entregou ninguém... Era uma espécie de Che Guevara feminina. 

É verdade que o que dizem é que Dilma participou de muitos crimes. Pelo conjunto de evidências que se tem, parece inegável que tenha participado de organizações terroritas. O problema é que a maior parte da documentação é do próprio governo da época, e é preciso ser muito ingênuo para acreditar cegamente. Mas é preciso ser muito cínico para negar tudo cegamente. E se Dilma nega tudo isso, há duas hipóteses: Ou é mentira, ou ela tem crimes sérios a esconder!

Seja como for, ela poderia, mas por alguma razão não diz, que lutou pelo povo brasileiro, mesmo que tenha cometido erros, hoje inaceitáveis, à época, no mínimo explicáveis... Postura bem diferente da de seus atuais aliados, Sarney e Collor! A candidata correu risco de vida lutando contra esses camaradas, e agora lhes dá acesso ao poder.

Aqueles dias da ditadura eram outros tempos. Parece que a Dilma também era outra...

Grande abraço.

Daniel Makawetskas



Escrito por Daniel makawetskas às 09h54
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